quarta-feira, 20 de maio de 2020

Sérgio Diab stratoman traz nova narrativa em 1895

No terceiro álbum em carreira solo, Sérgio Diab, o Stratoman, dá continuidade em seu western fictício


Não lembro bem quando conheci Sérgio Diab Stratoman, mas foi em algum momento entre Stratoman e Siempre True, Siempre Blue. Sei que precisei de alguns dias para me recuperar de 1895, álbum lançado esse mês pelo artista. 

Diab ganhou esse apelido (Stratoman) por sempre ser visto com uma Strat em mãos e, claro, por tudo o que consegue fazer com ela. Segundo entrevista dada ao site Tecnoveste, nesse novo trabalho ele traz uma Fender 1973, uma 1974 e uma Stratocaster Ledur, que quem o acompanha já deve ter visto diversas vezes. Com um setup quase que totalmente oldschool, ele nos entrega uma continuação do disco lançado em 2017, seguindo a linha de um filme fictício, cheio de reviravoltas.
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1895, uma história 

Se em Siempre True, Siempre Blue Sérgio Diab tenha deixado claro que seu inspiração tenha sido o western italiano, com a primeira faixa recebendo o título "Spaghetti", em 1895 ele busca um onda mais norte americana, dando início com a música "Old West", nos levando para o universo que já fora criado em Siempre True.
Se no trabalho anterior Diab contava a história de um justiceiro que chega na cidade e se apaixona por uma prostituta, nessa sequência viajamos pelo velho oeste, como em filme à Clint Eastwood. Tudo isso em uma trilha que mistura country, blues e ritmos latinos.


1895 também conta com a participação de Richard Bennett, que já havia gravado em Siempre True, e Paul Franklin, que já foi guitarrista do Dire Straits. Além de participações especiais de Flávio Guimarães (Blues Etílicos), Lui Coimbra, Milton Guedes, Sacha Amback e as Cantoras Lenna Pablo e Juliana Diab (filha de Diab). 

Bônus track

O álbum não possui nenhuma faixa bônus, são apenas suas dez faixas que decorrem a história de 1895. Mas poucos dias depois do lançamento, Sérgio Diab liberou um EP gravado em parceria com o baterista Chester Thompson. A música, intitulada "Milagro", traz o melhor de uma pegada de música caribenha. O resultado da parceria de Diab com Thompson só nos faz pensar que ela bem que poderia voltar no seu próximo trabalho, mas enquanto isso vamos curtindo 1895 e esperar que em breve possamos ter uma apresentação desse disco.



sexta-feira, 15 de maio de 2020

Shapeshifting traz todo o poder da Strat de Joe Satriani

Em seu 17° álbum, Joe Satriani traz tudo o que aprendeu em seus 35 anos de carreira


Muitos guitarristas são conhecidos por suas técnicas diferenciadas e que muitas vezes inovam o conceito de tocar guitarra. Mas uma das lendas da guitarra, e claro, da Stratocaster, é Joe Satriani. Ele vai além de puramente tocar, coisa que faz com maestria, e ensinou muitos dos guitarristas que tanto admiramos. Depois de relançar uma edição melhorada de Surfing With The Allen no começo do ano, ele está de volta com seu novo álbum, Shapeshifting, trazendo toda a solidez da sua Strat Ibanez Joe Satriani Signature.

Podemos começar dizendo que Shapeshifting é uma viagem por diversos estilos musicais, sempre com toda a técnica desenvolvida por Satriani em mais de três décadas de carreira.

O álbum foi produzido em parceria de Joe com Jim Scott, que já trabalhou com bandas como Red Hot e Foo Fighter, e masterizado por John Cuniberti. Para a banda, foram chamados Kenny Aronoff (John Fogerty) na bateria, Chris Chainey (Jane's Addiction) no baixo e Eric Caudieux nos teclados. Além de participações de Lisa Coleman (The Revolution) e Christopher Guest.



Faixa a faixa

O álbum já começa agitando com a faixa que dá título ao disco, Shapeshifting. É um rock pegado, que dá espaço para a bateria e baixo, enquanto a guitarra de Satriani é hipnotizante. E logo abre espaço para mais um rock'n roll eletrizante, a faixa Big Distortion, que já havia sido divulgada antes, já tem mais pegada e é recheada com bons solos de guitarra. Até agora falamos apenas de duas músicas e essas já fazem o álbum valer.


Então Satriani entra com uma levada mais baladinha, cortada apenas por solos bem arranjados na guitarra, com All For Love. Mas então vem uma coisa mais doida: Ali Farka, Dick Dale, an Alien and Me. Essa faixa é estranha, mas interessante. Ela dá uma noção de espaço, esse negócio de aliens com o qual Satriani parece gostar de trabalhar, a guitarra também é bem diversificada, trazendo uma sequência de acordes bem elaborados.

Teardrops nos mantém nesse caminho entorpecido. Começa com uma pegada blues e as vezes parece outra coisa, mas difícil explicar o que seria, o que se pode dizer é que ela te absorve de uma maneira desconcertante. E Perfect Dust te acorda novamente. Outra levada de blues, porém mais animado, aquele som que você provavelmente vai querer acompanhar com pés e mãos.

Outro single que já havia sido divulgado é Nineteen Eighty, uma verdadeira saudação a Eddie Van Halen e aos tempos antigos. É uma verdadeira viagem ao passado, com riffs de guitarra pretensiosos e uma bateria poderosíssima. Essa passou algumas vezes no repeat antes de seguir para a faixa seguinte. 

E foi dada a continuidade com All My Friends Are Here. Essa é uma faixa que traz riffs consistentes e tem uma levada boa, fácil de se gostar. Porém, Spirits, Ghosts and Outlaws já se mostra um pouco mais elaborada. É uma outra viagem ao passado, ao tempo em que o rock foi criado. Aqui já vemos a ideia de Satriani explorar um repertório diversificado, buscando tudo o que aprendeu e ensinou nesses 35 anos de carreira.

Com Falling Stars vemos o baixo e a bateria dando uma introdução ao que será o passei da Strat de Satriani. Tem uma pegada leve e descontraída, muito agradável. E Waiting dá sequência nesse relaxamento. Começa com vozes de crianças ao fundo e um piano bem sentimental, até entrar a guitarra de Joe com um som igualmente agradável aos ouvidos.

Depois de tanto prazer, vamos de uma pegada de reggae com Here The Blue River, onde atingimos o ápice de se sentir bem com um trabalho tão poderoso como esse novo álbum de Satriani. Então para fechar, Joe mostra todo seu trabalho e da banda recrutada com a excelentíssima Yesterday's Yesterday. Com uma intro diferente do que se podia esperar e uma pegada country no violão, Shapeshifting chega ao fim e deixa a sensação de missão cumprida. Certamente, quase todas essas músicas entrarão em playlist por aí, muitas delas já fazem parte da minha.

Veja todas as músicas do álbum:

terça-feira, 5 de maio de 2020

Conheça Bob Margolin, o Steady Rollin


Usando uma strat ’56 desde o início da carreira, Bob tocou ao lado de nomes como Muddy Waters




Traduzindo ao pé da letra, Steady Rollin significa algo como “rolando constantemente”, e não é que Bob rolasse muito, mas seu apelido surgiu a partir de nada menos que uma música de Robert Johnson, I’m a Steady Rollin Man. “Eu estava em Boston com Muddy Waters. Havia um jovem de uma estação de rádio, seu nome era Eddie Goridetski , era um jovem que realmente amava o Blues. Certo dia ele me disse: ’Você acha que pode providenciar para eu apresentar Muddy Waters e a banda no clube?’, eu disse ‘claro!’, disse Margolin em entrevista ao site STLBlues, em 2007, que arrematou dizendo “[na apresentação da banda] Eddie disse: ‘e daqui de Boston temos o Bob Margolin Steady Rollin!’, fazendo menção a música de Robert Johnson e esse apelido me seguiu por todas as milhas”. E foi assim que Bob Margolin recebeu o apelido pelo qual ficou famoso durante toda sua carreira.

Quem acompanha seu trabalho, o vê com uma bela Fender Telecaster, que adquiriu em 1991, a guitarra com a qual gravou quatro álbuns com Muddy Waters e tocou em muitos shows foi nada menos que uma Fender Stratocaster 1956.


A história de uma Strat ‘56

Segundo o próprio Bob, em muitas entrevistas que deu durante sua carreira, sempre gostou de rock’n roll. E foi inspirado por Chuck Barry que nasceu o desejo de ser um bluesman. Quando escutou pela primeira vez o som de Muddy Waters no rádio decidiu que caminho seguir, e foi pulando de banda em banda, de Boston a NY, sempre tocando músicas que se não fossem de Waters, lembravam bem.

Quando Luther, até então guitarrista de Buddy Waters, chegou em Boston e decidiu montar uma banda local, Bob acompanhou o grupo como espectador, onde, depois de uma jam como baixista, foi convidado para tocar baixo, mas não era isso que queria. Até que surgiu a oportunidade de tocar guitarra e ele logo a abraçou.

Uma de suas apresentações contava com um convidado de honra, o próprio Muddy Waters. Seu ídolo havia perdido o guitarrista na noite anterior e esse show definiria o futuro de sua carreira. Bob tocou e depois disso pegou a estrada com a Muddy Waters Band.

É então que a Fender Stratocaster 1956 entra em cena. Quando entrou na banda de Muddy, Bob recebeu de um amigo essa guitarra que usou por um bocado de anos. Com ela, Bob foi um fos pilares da banda de Muddy, tendo dividido ela com caras como George Harrison, Keith Richards, o próprio Muddy Waters e tantos outros guitar players.  

Em 2015 a Strat ’56 Brown foi coloca a venda, no intuito de financiar o álbum My Road, lançado no ano seguinte. Ela não poderia mais ser identificada como uma strato original Fender, já que houve muitas modificações no captadores e acabamento no decorrer dos anos, a transformando em uma guitarra única, original Steady Rollin. Mas seja com a Stratocaster usada durante anos, ou com a Tele que vem usando nos dias de hoje, Bob Margolin é um dos maiores tocadores de Blues e deve ser reverenciado por isso.



sábado, 9 de março de 2019

Malmsteen fala sobre suas influências do blues em Lightning Blue


Yngwie Malmsteen é um dos maiores strateiros ainda em atividade. O guitarrista saiu do estúdio com um novo álbum solo pronto para ser lançado, o que deve ocorrer no dia 29 de março.

Em Blue Lightning, Malmsteen retorna a suas influências do blues, nomes como B. B. king, Jimi Hendrix, John Mayall e Eric Clapton fazem parte dela e alguns entram no setlist do novo disco.

Em um vídeo de 8 minutos, Malmsteen fala sobre essas influências que o fizeram gravar o novo álbum, que conta com covers de Forever Man (de Clapton) e Foxey Lady (de Hendrix). Assista ao vídeo abaixo:


Lightning Blue promete uma seleção de boas músicas no melhor estilo blues. Além das canções já mencionadas, o álbum ainda conta com "Lightning Blue", "Demon's Eye", 
"1911 Strut", "Blue Jean Blues", "Purple Haze", "Peace, Please", "Paint It Black", "Smoke on the Walter", "While My Guitar Gently Weeps" e "Sun's Up Top's Down", sendo que essas duas últimas já estão disponíveis em plataformas de streaming.

While My Guitar Gently Weeps


Sun's Up Top's Down


quarta-feira, 6 de março de 2019

Fender Stratocaster #0100, a primeira!


Primeiramente precisamos deixar claro que essa não é de fato a primeira Stratocaster produzida. Mas é a primeira que recebeu um número de série: #0100.

O instrumento pertenceu ao vendedor e especialista em guitarras George Gruhn até pouco tempo atrás, tendo sido vendida a um colecionador anônimo. Produzida em 1957, um ano antes da Stratocaster com número de série #0001, pertencente a David Gilmour, o que torna essa guitarra especial é o fato de ser a única que foi mantida original e em tão boas condições.

Com design de Leo Fender, George Fullerton e Freddie Tavares, a Stratocaster 0100 é na cor Sunburst e possui a mesma estrutura das strats de hoje: três captadores singles coil em cerâmica, mas a chave possui apenas três seleções, hoje as guitarras já são fabricadas com cinco posições, possibilitando o uso de dois captadores ao mesmo tempo.

Antes de vender sua Fender Stratocaster #0100, Gruhn deu uma entrevista ao canal Guitar Gathering, onde podemos ver por volta dos 18 minutos, o som limpo próprio de uma Stratocaster.